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Literatura & Saúde / Sandro Lins

Quem é Sandro Lins? É médico pediatra, perito em trânsito, membro da ACALA (Academia Arapiraquense de Letras e Artes), ex-secretário de Saúde de Craíbas e gosta de dar opinião sobre tudo.
21/01/2017 10:49:26
O verão da febre amarela?
pintura de Edward Munch / Foto: internet

 Hoje a tristeza não é passageira, hoje fiquei com febre a tarde inteira. E quando chegar a noite, cada estrela parecerá uma lágrima.
Renato Russo

O maior problema de saúde pública em nosso país ano passado foi o aparecimento da Zica e da Chikungunya, mas em 2016 a perspectiva é piorar com a provável volta da Febre Amarela urbana, a mais grave e mais mortal doença transmitida pelo mesmo mosquito da Dengue.


Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, em 2016 foram 15 casos confirmados de febre amarela em humanos, 10 somente na região centro-oeste, nenhum caso no nordeste. O que preocupa mais é que 40 casos foram confirmados em primatas não humanos ( macacos, saguis), que são o reservatório natural da doença.
A febre amarela apresenta dois ciclos epidemiológicos de acordo com o local de ocorrência e a espécie de vetor (mosquito transmissor): urbano e silvestre. O transmissor da doença urbana é o mesmo da Dengue, o mosquito Aedes aegypti. No período de 1980 a 2004, foram confirmados 662 casos de febre amarela silvestre, com ocorrência de 339 óbitos, representando uma taxa de letalidade de 51% no período. A doença em seus casos graves, que acometem de 20 a 50% dos infectados, geralmente vai matar por insuficiência hepática, com icterícia, daí ser chamada de febre amarela . .Não existe tratamento específico, segue-se a mesma recomendação da Dengue, como repouso e hidratação. Os pacientes graves geralmente apresentam sangramento, também não podem tomar AAS e anti-inflamatórios não esteróides, como por exemplo o ibuprofeno, diclofenaco e nimesulida.


Parece já bastante óbvio que a estratégia do governo de transformar cada cidadão em um agente de endemias não tem funcionado, e que a inoperância estatal, com falta de investimento em saúde pública, pode ter contribuído decisivamente para a volta desta doença há 73 anos ausente em nosso país. E então Doutor, o que podemos tentar? Como disse Manuel Bandeira no seu famoso poema: “A única coisa a fazer é tocar um tango argentino”.

As regiões de maior risco para quem for viajar:
São as regiões turísticas de Goiás e Mato Grosso do Sul e em áreas do Pará, Tocantins, Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo . A proximidade com áreas urbanizadas e a elevada densidade populacional (residente e transiente/viajante) nesses locais colocam em alerta os sistemas de vigilância, e recomendam a vacinação preventiva de viajantes com destino aos locais de foco além dos indivíduos não imunizados moradores destas áreas.

América do Sul


Em 2016, três países relataram casos de febre amarela silvestre: Brasil, Peru e Colômbia, com região afetada principalmente na região amazônica. No Brasil, foram confirmados seis casos humanos. Na Colômbia, foram registrados 12 casos, sendo 7 confirmados por laboratório e cinco prováveis, procedentes de Antioquia, Amazonas, Guainía, Meta, Vaupés e Vichada. Já no Peru, 82 casos de febre amarela silvestre foram registrados, dos quais 66 foram confirmados e 16 classificadas como prováveis. Dos 25 departamentos do Peru, foram relatados casos em 9, sendo o departamento de Junín o que apresentou o maior número de casos (n=54).


África

Em Angola, uma epidemia de FA urbana (transmitida por Aedes aegypti) acometeu o país a partir de dezembro/2015. Até 22/09/2016, 4143 casos suspeitos foram notificados, com 373 óbitos, e 884 foram confirmados laboratorialmente . Os casos foram registrados em 16 das 18 províncias do país, das quais 12 registraram transmissão autóctone. O último caso de transmissão urbana teve início dos sintomas em junho/2016. Casos importados de Angola foram registrados em outros 3 países da África e Ásia (República Democrática do Congo [57], Quênia [2] e República Popular da China (11). Além do registro de casos importados de Angola na República Democrática do Congo (RDC), 13 casos autóctones foram registrados no país. O último caso de transmissão urbana confirmado teve início dos sintomas em julho/2016. Em Uganda, 7 casos foram confirmados, sem relação com a transmissão em Angola.

 

 


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Sandro Lins