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14/03/2019 10:55
Polícia
Caso Marielle: Após o crime, acusados ficaram 4 horas em restaurante da Barra
Análise da localização de celulares por antenas de telefonia indica que eles estiveram juntos desde a tarde do dia do assassinato
Através de dados extraídos dos celulares, polícia acredita que Ronnie Lessa (esquerda) e Élcio Queiroz (direita) estiveram juntos no dia da morte de Marielle / Foto: Reprodução

 Um rastreamento feito por meio de antenas de telefonia foi fundamental para pôr os acusados de terem assassinado Marielle Franco e Anderson Gomes na cena do crime e desvendar o que aconteceu nas horas anteriores e posteriores à execução. O trabalho detectou o momento em que o PM reformado Ronnie Lessa e o ex-policial Élcio Queiroz saíram da Barra, o período de “campana” na Rua dos Inválidos, no Centro, onde a vereadora participava de um evento, e a localização dos suspeitos depois do ataque. Um aspecto de frieza chamou a atenção da Delegacia de Homicídios (DH) e do Ministério Público. Depois do crime, antenas da Barra detectaram a volta dos dois ao bairro - eles permaneceram quase quatro horas em um restaurante, até a madrugada, quando, enfim, foram para suas casas.

Às 14h03m do dia 14 de março, quando aconteceu o assassinato, surge a primeira atividade suspeita de Lessa: ele acessou a internet para saber sobre uma manifestação de parentes da menina Maria Eduarda, morta durante uma operação policial em Acari naquele ano. Marielle acompanhava a investigação junto à família. Já Élcio fez, às 14h43m, a última ligação de celular naquele dia.

Às 16h31m, Lessa fez nova busca na internet. Dessa vez, buscou saber sobre a legalidade e formas de uso do Jammer, um aparelho ilegal, usado para neutralizar sinais de GPS e bloquear celulares. Logo depois, às 16h59m, o aparelho de Élcio Queiroz é detectado por antenas no condomínio de Lessa, o Vivendas da Barra. Desse momento em diante, a polícia afirma que eles estiveram juntos até a madrugada do dia seguinte. Uma análise mostra que os telefones cadastrados pelos dois foram deixados no local.

Da campana à volta para casa

A reconstituição da polícia combina esses dados com os de câmeras de rua. Às 17h24m, câmeras filmaram o Cobalt prata utilizado no assassinato de Marielle e Anderson próximo ao Quebra-Mar, na Barra. Esse detalhe é confirmado por uma denúncia anônima que, em outubro do ano passado, incluiu Lessa no rol de investigados, fornecendo detalhes sobre o suposto mandante e o preço do crime encomendado. Às 18h45m, o Cobalt chegou à Rua dos Inválidos, onde, segundo a DH, Lessa e Élcio aguardaram pela saída da vereadora da Casa das Pretas.

Entre 21h09m e 21h12m, Anderson e Marielle foram mortos na Rua Joaquim Palhares, no Estácio, e, às 22h11m, antenas de telefonia voltaram a captar um deslocamento do celular de Élcio. O movimento indica que o suspeito foi do condomínio Vivendas da Barra para o restaurante Resenha e Grill, onde chegou às 22h30m. Os acusados continuaram juntos: prova disso, segundo a polícia, é que o telefone de Lessa foi detectado pouco menos de uma hora depois no local, às 23h18m.

O estabelecimento era frequentado pelos dois. Os policiais acreditam que Lessa e Queiroz estiveram lá no dia 1º de fevereiro, após Pedro Bazzanella, um amigo em comum, ter prestado depoimento à Delegacia de Homicídios. Lessa ficou no restaurante até 3h47m, quando seu telefone foi localizado na Avenida das Américas, próximo ao número 2.000, voltando para o condomínio onde mora, de acordo com a polícia. Élcio, por sua vez, foi “visto” por câmeras da CET-Rio bem depois: às 5h33m, seu Renault Logan prata passou no km 11 da Linha Amarela.

O estudo da movimentação de celulares, a partir das antenas, começou a desenhar a dinâmica do crime com o aparecimento de Lessa no rol de suspeitos. Ele foi apontado como o homem que fez 13 disparos contra o carro da vereadora e do motorista, em outubro do ano passado. A partir daí, a Delegacia de Homicídios pediu a quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos (referentes a dados de navegação na internet). Por esse caminho, foi possível traçar um perfil comportamental do suspeito, através de buscas na internet, e, também, da localização do seu celular no dia do crime — e no pré-crime —, através da captação, pelas antenas, do IMEI (espécie de identidade) do aparelho.

À polícia, os dois afirmaram não se lembrar o que fizeram entre 17h30m e 23h de 14 de março de 2018.

Fonte: O Globo


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