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10/02/2018 14:39
Política
Delegados criticam chefe da PF por falar de ação contra Temer
Diretor-geral disse em entrevista que a tendência é recomendar o arquivamento da investigação
/ Foto: Reprodução
G1

 Delegados do grupo de inquéritos da Lava Jato reagiram à fala do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Fernando Segóvia, que, em entrevista à agência Reuters, nesta sexta-feira (9), disse que a tendência na corporação é recomendar o arquivamento da investigação contra o presidente Michel Temer no inquérito dos portos.

Em troca de mensagens em grupo de whatsapp, investigadores disseram que as declarações de Segovia são manifestação pessoal e de responsabilidade dele. A mensagem diz, ainda, que ninguém da equipe de investigação foi consultado ou referendou essa manifestação.

"Os integrantes do Grupo de Inquéritos da Lava Jato no STF informam que a manifestação do Diretor Geral da Polícia Federal que está sendo noticiada pela imprensa, dando conta de que o inquérito que tem como investigado o Presidente da República tende a ser arquivado, é uma manifestação pessoal e de responsabilidade dele. Ninguém da equipe de investigação foi consultado ou referenda essa manifestação, inclusive pelo fato de que em três de anos de Lava Jato no STF nunca houve uma antecipação ou presunção de resultado de Investigação pela imprensa."

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal criticou a postura de Segovia. "Independentemente da posição que ocupe na instituição, nenhum dirigente deve se manifestar sobre investigações em andamento", afirmou a associação por meio de nota.

A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) também reagiu às declarações de Segovia. O presidente da associação, Marcos Camargo, afirmou, por meio de nota, que "é sempre temerário que a direção-geral emita opiniões pessoais sobre investigações nas quais não está diretamente envolvida". Ele disse, ainda, que a Polícia Federal trabalha com independência "de modo que eventuais declarações à imprensa não afetarão a rotina dos colegas dedicados à apuração citada pelo diretor".

O chefe da PF disse, durante a entrevista, que as investigações não comprovaram que houve pagamento de propina por parte de representantes da empresa Rodrimar, que opera áreas do porto de Santos (SP), para a edição do decreto que prorrogava contratos de concessão e arrendamento portuários, assinado por Temer em maio do ano passado.

 


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