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06/12/2017 23:38
Brasil
Guillain-Barré: biólogo se recupera da síndrome após acordar 'tetraplégico'
Nelson Rodrigues da Silva, de Sorocaba, passou mal depois de trabalhar dentro de mata em Maceió. Doença é considerada rara e pode ter relação com vírus transmitidos pelo Aedes aegypti.
/ Foto: G1

 “Não quero morrer. Posso até ficar assim, mas quero viver”, foram as únicas palavras na cabeça do biólogo Nelson Rodrigues da Silva, de 38 anos, na noite em que acordou com o corpo paralisado do pescoço para baixo. Eram os primeiros sintomas da rara síndrome de Guillain-Barré, que se manifestavam no morador de Sorocaba (SP), em outubro do ano passado.

Ainda se recuperando dos efeitos da infecção com sessões de fisioterapia e cuidados diários de um enfermeiro, o paulista - que chegou a perder 30 quilos - recebeu o G1 em casa e contou como tem sido a rotina de descobrir novamente os movimentos do corpo.

Acostumado a desbravar áreas de mata e passar horas observando o comportamento de animais, em um dos trabalhos de coleta de informações para o doutorado em Maceió (AL), no nordeste, Silva ficou doente e precisou de cuidados médicos.

“Fiquei com dor de cabeça muito forte, diarreia e vômito. Isso uma semana antes de eu voltar para Sorocaba, vim para votar. Na época, o médico disse que era uma virose e me passou remédios para febre”, lembra.

Segundo o biólogo, que acumula na carreira picadas de cobra e uma dengue superada, o medicamento aliviou os sintomas por alguns dias. Após apresentar melhora, ele aproveitou a oportunidade para voltar a Sorocaba e participar das eleições.

“Quando cheguei no aeroporto senti minha perna pesada, travada. Eu estava sozinho e achei estranha aquela dor, achava que era nervo ciático. Cheguei em casa e nem me preocupei muito.” De forma silenciosa, a doença começou a afetar os membros inferiores durante a madrugada.

Assustado, porém, sem saber o que acontecia, a família logo procurou ajuda médica quando o corpo de Nelson já não correspondia aos comandos. No entanto, havia sensibilidade, segundo o biólogo.

“Eu não imaginava o que era, não tinha forças nem para abrir a calça. Meu irmão chegou e perguntou se eu queria ajuda para levantar, mas eu disse que conseguia e tentei. Quando ele me colocou em pé, eu caí com tudo. Então ele me arrastou até o carro e fomos ao médico”, diz.

Cinco dias na UTI

Debilitado, mas podendo se comunicar, ele foi até uma clínica particular ainda sem saber o que tinha. “O médico fez três perguntas e já falou: ‘você está com a síndrome de Guillain-Barré. Corre para o hospital que você está correndo risco’. Para mim, ele foi um gênio. Salvou a minha vida”, afirma o biólogo.

Com pistas do que poderia estar causando a paralisia, ele foi internado e passou 31 dias no hospital, sendo cinco dias na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) em tratamento com medicamentos para barrar os sintomas e filtrar o sangue. Durante o período de internação, o paulista emagreceu 30 quilos e afirma ter ficado "entre a vida e a morte".

Atualmente no 14° mês combatendo o impacto da doença, o biólogo tem um rotina diferente da que acostumava ter ao exercer a profissão. De segunda a sexta-feira ele faz sessões de fisioterapia para recuperar a força nos braços e pernas, além de depender de uma cadeira de rodas para se locomover dentro de casa.

Com a ajuda de um andador, tem conseguido dar os primeiros passos. Apesar da intensidade da recuperação, ele mantém o bom humor. “Já que é uma doença rara e eu tive, eu também poderia ganhar na loteria, que também é algo raro, não?”, brinca.

Por outro lado, Nelson conta que a experiência o fez valorizar ainda mais as pequenas conquistas. “Eu pedia até para coçarem minha cabeça. era horrível. Agora, posso levantar até o meu braço e ir sozinho tomar um sol e comecei a digitar no computador”, finaliza.

Síndrome de Guillain-Barré

A Vigilância Epidemiológica de Sorocaba explica que a Síndrome de Guillain-Barré não é uma doença de notificação compulsória. No entanto, devido a possível relação com a infecção do vírus da Zika e outras arboviroses, existe desde 2016 a orientação de investigação para estes agentes em todos os casos com diagnóstico confirmado.
“É uma doença neurológica aguda. Os sintomas são a perda de força que começa em membros inferiores, com característica ascendente – pelos pés, pernas até chegar a mão e braços – e nos casos mais graves pode acometer a musculatura respiratória”, esclarece a doutora Priscila Helena dos Santos, da Vigilância Epidemiológica de Sorocaba.

A especialista ainda detalha que a Síndrome de Guillain-Barré ocorre quando o próprio sistema de defesa do corpo ataca os nervos periféricos. Porém, existe tratamento.

“Demanda internação para observação da evolução do quadro. Ela pode ser rápida ou mais lenta. Então, a partir da internação, a primeira opção é o uso de imunoglobulina, que é uma substância que vai modular o sistema imunológico. Uma outra opção, e de maior custo, seria uma filtragem do sangue diminuindo o número de anticorpos.”

Até o momento, não existe estatística brasileira sobre a ocorrência de casos da síndrome, segundo a Secretaria Estadual de Saúde.

 

 

 

 

Fonte: G1




 


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