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24/05/2019 09:47
Brasil
Internação de menina vale de alerta para os perigos do slime
Mãe foi até as redes sociais para divulgar os perigos de se manipular material
Contato contínuo com componentes do slime caseiro pode provocar problemas de pele / Foto: Reprodução/Instagram

 Uma brincadeira que parece inofensiva pode trazer riscos à saúde de crianças e adolescentes. O slime – tipo de “geleca” ou amoeba que se tornou febre após diversos vídeos na internet passarem a ensinar receitas para se fabricar seu próprio brinquedo – virou alvo de discussões sobre os perigos de sua manipulação.

Tudo começou após Cris Pagano, moradora da cidade de São Paulo, postar nas redes sociais que a filha Valentina, 12 anos, está internada há mais de uma semana por causa de intoxicação por bórax (borato de sódio). Essa substância alcalina (com alto pH) é usada como um dos ingredientes para a fabricação caseira do slime e facilmente comprada em farmácias de manipulação ou na internet.

Apesar de formar a liga necessária para que o slime seja produzido, o bórax é considerado o componente mais perigoso da receita, segundo o alergista e imunologista Nelson Guilherme Bastos Cordeiro, do Departamento Científico de Dermatite Atópica e de Contato da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).

“O problema está no tempo em que as crianças e adolescentes ficam expostos a essa substância, porque a fabricação caseira não contém concentrações padronizadas, podendo superar, e muito, aquelas consideradas seguras”, afirma.

Cordeiro explica que essa exposição por horas seguidas pode resultar em queimaduras químicas, irritação nos olhos e dermatites. “A queimadura, principalmente nas mãos e nos braços, pode ser a reação mais grave por ação abrasiva causada pelo borato de sódio. Além disso, ainda há o risco de se desenvolverem reações alérgicas, já que as crianças têm uma pele mais sensível”, diz.

Nas redes sociais, internautas questionaram Cris Pagano quanto à possibilidade de a filha ter ingerido o bórax. Para rebater as suspeitas, a mãe afirmou que a menina não bebeu a substância diluída em água e que a postagem serviu apenas para alertar pais e responsáveis sobre os riscos do uso da substância.

Caso haja inalação ou ingestão, no entanto, pode haver problemas nos aparelhos respiratório e digestivo. “Pode-se desenvolver dermatite de contato por conta de uma substância encontrada normalmente em espumas de barbear e amaciantes, chamada de ‘metilisotiazolinona’”, explica o médico da Asbai.

Para evitar transtornos, o ideal é evitar a fabricação caseira do slime. “O melhor é dar preferência para os produtos com selo de qualidade do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), que são vendidos em quantidades e concentrações já testadas”, diz.

“Caso haja alguma reação, é preciso lavar a região com água ou soro fisiológico gelados e procurar atendimento médico o mais rapidamente possível”, orienta Cordeiro.

Bórax não deve ser utilizado

Usado para diversas finalidades, principalmente aquelas que envolvem limpeza, o bórax pode ser encontrado em fertilizantes e saneantes, por exemplo. Por conta disso, sua comercialização não é proibida no país.

No entanto, o a utilização em outras aplicações, incluindo a fabricação caseira do slime, não é recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em nota, o órgão esclarece “que o produto deve ser utilizado para as finalidades autorizadas e nas doses recomendadas”.

Além disso, a Anvisa condena veementemente o contato inadequado com o bórax ao ressaltar ainda “que a substância não deve ser manipulada por crianças”.

Na mesma nota, são listados os principais sintomas associados ao contato contínuo com o produto: náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarreia com coloração azul/esverdeada, cianose, queda de pressão sanguínea, letargia, choque.

Por fim, a Anvisa afirma que está fazendo publicações nas redes sociais para alertar pais e responsáveis sobre o perigo da utilização do bórax por crianças e adolescentes.

Fonte: O Tempo


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