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09/01/2018 21:45
Ciência
Cientista brasileiro descobre remédio que pode proteger fetos contra Zika
Cloroquina consegue inibir a entrada do vírus nos cérebros de fetos
/ Foto:

Medicamento usado para combater a malária no Brasil, na década de 50, volta a ser testado em pesquisa inovadora na tentativa de proteger a população de uma nova epidemia do vírus

Identificado pela primeira vez no Brasil em abril de 2015, o vírus da Zika vem assustando a população e, principalmente, as mulheres grávidas. A presença do vírus no corpo está ligada ao aparecimento de deformidades neurológicas nos bebês, como a microcefalia.

Em estudo coordenado pelo brasileiro Dr. Alysson R. Muotri, biólogo molecular, professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, e cofundador e chefe científico da startup de biotecnologia TISMOO, foi descoberto uma forma de proteção contra o Zika, com um medicamento eficiente em bloquear a entrada do vírus.

Com a ajuda de mini-cérebros humanos, uma tecnologia totalmente inovadora capaz de reproduzir o desenvolvimento humano através de células-tronco, os pesquisadores descobriram que uma droga, chamada Cloroquina, consegue também inibir a entrada do Zika nos cérebros de fetos.

Na década de 50, a Cloroquina foi extremamente importante para combater a malária. Inclusive, o governo brasileiro autorizou, na época, o uso do medicamento misturado ao sal de cozinha para poder controlar/erradicar o surto da doença no país, trabalho que ficou conhecido como Método de Pinotti.

No caso do Zika, a droga, além de se mostrar eficaz nos mini-cérebros, também teve um resultado positivo nos testes com animais. "Testamos em modelos animais que tomaram a Cloroquina antes de serem expostos ao vírus. Aqueles que não tomaram o medicamento, foram infectados. Já os outros, passaram ilesos pelo Zika", conta o biólogo molecular.

Outra descoberta foi que a droga também conseguiu reduzir o nível do vírus nos animais normais, inclusive diminuindo a frequência de filhos com defeitos neurais gerados por casais infectados. "Com essa conclusão, minha proposição é considerar o Método de Pinotti em áreas afetadas pelo Zika, em uma tentativa de bloquear uma eventual segunda onda da epidemia", completa o cientista. Nesse momento, a descoberta da droga Cloroquina já foi aceita e está sendo estudada para que possa ser testada em humanos.

Mais avanços

O mesmo estudo também revelou como o Zika consegue afetar o cérebro das crianças ainda no útero das mulheres, uma descoberta de extrema importância para o meio científico, já que ainda não se sabia como o vírus conseguia cruzar a barreira hematoencefalica e atingir o cérebro do feto.

Assim, os pesquisadores descobriram que após a picada do mosquito Aedes aegypti, o vírus instalado no corpo utiliza de uma estratégia que funciona como um "Cavalo de Tróia". As células do sistema imune das mães são infectadas pelo Zika e transmitidas ao feto. Estas células, que carregam o vírus, infectam também as células do sistema imune imaturo do embrião. Uma barreira hematoencefálica se forma durante a gestação, aprisionando as células infectadas no cérebro do feto e, consequentemente, levando o vírus para o sistema nervoso, afetando as células progenitoras neurais responsáveis pela formação do córtex. Desta forma, as células progenitoras acabam morrendo antes de migrarem e formarem o cérebro do embrião.

Este trabalho foi recentemente publicado em uma das mais importantes revistas científicas do mundo, a Nature, com repercussão internacional devido a descoberta do mecanismo inovador utilizado pelo Zika para chegar ao cérebro fetal.

Altamente relevantes, essas pesquisas podem gerar avanços significativos no combate a uma possível segunda epidemia do Zika vírus. Inclusive, na última semana, em um estudo publicado no jornal Clinical Infectious Diseases, pesquisadores norte-americanos revelaram a descoberta que a transmissão do vírus da Zika de mãe para filho também pode ocorrer através do leite materno.

Somente no Brasil, até dezembro de 2016 foram registrados 214.193 casos de pessoas infectadas com a doença, representando uma incidência de 104,8 casos por 100 mil habitantes, de acordo com boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. Já de janeiro a novembro de 2017 esse índice diminuiu, passando para 8,2 casos por 100 mil habitantes.

Apesar da redução dos números, o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), divulgado no final do ano, mostra ainda que 1,1 mil municípios brasileiros estão em 'estado de alerta' e outras 357 cidades apresentam situação de risco de surto da doença.


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