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10/07/2018 14:30
Justiça
Mulher acusada de mandar executar o marido em 2012 vai a julgamento
Outras duas pessoas também são julgadas na 9ª Vara Criminal; acusação defende tese de homicídio duplamente qualificado
/ Foto: Reprodução

 Sentam no banco dos réus, nesta terça-feira (10), no Fórum do Barro Duro, Marineide Leite Cavalcante de Almeida, Jedson da Silva Ferreira e Josivênio Manoel dos Santos, acusados de matar José Roberto Cavalcante de Almeida, 44 anos, esposo da ré, em julho de 2012. Marineide é apontada como autora intelectual do crime. Os réus são acusados de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe.
À época, o homicídio causou grande repercussão, já que Marineide teria tramado a morte do marido, contratando os demais acusados pelo valor de R$ 3 mil para executar o crime. O motivo seria ciúmes, pois a vítima havia se separado da esposa e já estaria em outro relacionamento.

No julgamento presidido pelo juiz Geraldo Amorim, da 9ª Vara Criminal, o Ministério Público Estadual (MPE), por meio do promotor Leonardo Novaes, decidiu pedir a condenação dos réus por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe, que seria a emboscada praticada no dia do crime. Segundo o promotor, o MP deve provar que os réus atuaram em conjunto para praticar o fato criminoso que resultou na morte.

"Vamos atuar de forma imparcial, visando provar os fatos que estão nos autos. São três réus, sendo a senhora Marineide, o senhor Josivênio e o Jedson, que estão sendo acusados de homicídio, tendo sido praticado em 2012, com a acusada a agenciar os outros réus, que teriam atuado para que o crime acontecesse. Tudo indica que o estopim foi a relação da vítima com uma nova pessoa, após a separação, e a ré não gostou da situação, articulando esse assassinato", explicou o promotor de Justiça.

Por sua vez, a defesa de Marineide, representada pela advogada Lucila Vicentin, disse que vai pedir a negativa de autoria. Lucila ressaltou que, durante o processo, foram percebidas muitas inconsistências, contradições e o indício de uma ilegalidade ocorrida na investigação.

"Isso é algo reprovável da nossa polícia. Nós vamos provar a negativa de autoria, haja vista que não tem elementos; ao contrário, existem declarações e indício de uma fraude processual no autos. Então, nós vamos provar, isso é, Deus queira que tenhamos condições de demonstrar para os juntados. A minha cliente é inocente", declarou a advogada.

Os demais réus são representados pelo defensor público Ryldson Martins. De acordo com ele, Jedson da Silva e Josivênio Manoel negam a participação na morte da vítima. A tese da defesa é a negativa de autoria.

"As câmeras de segurança não identificam ninguém. Não identificaram, sequer, a placa do veículo utilizado, quem era condutor ou passageiro. Nada. Tanto que, no início do processo, havia outras pessoas denunciadas, pessoas que até ficaram presas durante um bom período, mas, ao final da instrução, ficou concluído que não tinham prova da participação dessas pessoas e elas foram impronunciadas", explicou Ryldson.

O defensor ainda disse que uma quebra de sigilo telefônico provou que a Marineide teria utilizado um telefone que pertencia ao pai da vítima e teria feito ligações para o Jedson, que, por sua vez, teria feito ligações para o Josivênio no dia do crime.

"Essa quebra de sigilo telefônico não identificou a estação rádio base utilizada pelo terminal que foi investigado, ou seja, não se sabe onde esse telefone estava, se no local do fato ou local adverso. A quebra de sigilo é inconclusiva, só mostra que houve a ligação, não demonstra o conteúdo dela. Então, é algo muito relativo, uma prova muito relativa, que não demonstra a participação de nenhum deles", reforçou o defensor público.

Ao todo, serão ouvidas, em juízo, nove testemunhas. A primeira delas a ser inquirida foi o irmão da vítima, Cícero Cavalcante. Bastante emocionado, ele relatou que ficou sabendo do fato através do delegado Cícero Lima, que fez a investigação policial. Segundo ele, a família não imaginava que a ré tivesse praticado o crime.

"Não estou aqui para julgar nem condenar ninguém. Eu queria que não fosse ela. Não existe um motivo lógico para que a Marineide tivesse matado ele. José Roberto era empresário, não tinha inimigos e, na época, estava começando a se reerguer. Não sei se foi ciúme, porque ele deixou ela por uma menina mais nova. Eu não sei o motivo real", comentou Cícero, acrescentando, no entanto, que a vítima já estava separada de Marineide quando se envolveu com outra mulher.

RELEMBRE O CASO

O casal, que viveu junto durante 22 anos e teve dois filhos, estava em vias de separação após o empresário ter saído de casa, passando a morar provisoriamente na residência dos pais, no bairro do Antares, e iniciado um relacionamento com uma adolescente.

Marineide teria ficado insatisfeita com a situação e, no dia 16 de junho de 2012, levou os filhos para a casa do sogro, e, momentos depois de sair, fez uma ligação para o marido, alegando que estaria sendo agredida. José Roberto saiu e, quando passava pela calçada de um estabelecimento comercial na Serraria, foi atingido por um tiro de espingarda calibre 12.

Fonte: Gazetaweb


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