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14/06/2018 09:48
Mundo
Putin quer usar a Copa para melhorar imagem e mostrar que não está isolado do Ocidente
Copa do Mundo chama a atenção para o país como potência global fora da esfera dos conflitos armados internacionais.
/ Foto: G1

 Após ser reeleito em uma eleição contestada, o presidente Vladimir Putin quer usar a Copa do Mundo para melhorar sua imagem internacional e mostrar que não está isolado do Ocidente.

Um trabalho gigantesco foi colocado em prática para a realização do mundial. Além dos estádios, novos terminais de aeroportos foram construídos, como em Saransk. Calçadas foram refeitas. O metrô recebeu placas em inglês para orientar os turistas que, até então, eram obrigados a se orientar em cirílico pelo complexo sistema metroviário.

Nada deve perturbar a competição, o líder do Kremlin deixou claro objetivo nacional: mostrar ao mundo a melhor face do país, de acordo com o jornal francês “Le Monde”. As medidas de segurança são bastante rigorosas, uma vez que o Estado Islâmico fez uma série de ameaças contra o mundial.

Na quarta-feira (13), um dia antes do início da competição, Putin agradeceu à Fifa por separar a política do esporte. Mas isso é possível?

A Copa do Mundo, assim como os Jogos Olímpicos de Sochi, chama a atenção para a Rússia como potência global fora da esfera dos conflitos armados internacionais.

 

Embora os russos não sejam fãs do futebol e sua seleção não tenha esperanças de estar entre as finalistas, o evento pode ajudar a promover o orgulho nacional e a neutralizar a impressão de que o Ocidente isolou a Rússia por meio de sanções internacionais e expulsões diplomáticas.

Na avaliação de Gleb Pavlovsky, analista político e ex-consultor do Kremlin, ouvido pelo “New York Times”, o país está passando por um período de isolamento. “É importante para a Rússia mostrar que ainda somos membros do clube de grandes potências”, afirma.

A abertura da competição, o confronto de Rússia contra Arábia Saudita, nesta quinta-feira (14) no estádio Luzhniki, em Moscou, contará com a presença do príncipe herdeiro saudita, Mohammed Ben Salman, que é um dos poucos líderes estrangeiros a se deslocar até lá.

Porém, a polêmica com o Reino Unido por causa do envenenamento do ex-espião russo Serguei em território britânico, que terminou com uma tensão diplomática com vários países do mundo, fez com que líderes políticos ingleses e a família real desistissem de comparecer ao evento.

Entre os vizinhos, a anexação da Crimeia, em 2014, e o apoio a uma guerrilha separatista na Ucrânia, desgasta a imagem da Rússia junto aos vizinhos.

Mas é a atuação russa na guerra da Síria que acirra os ânimos na comunidade internacional. Putin se tornou o principal aliado do governo de Bashar Al-Assad no confronto, que dura sete anos e já deixou mais de 350 mil mortos.

Desde 2015, a Rússia faz ataques aéreos no território sírio, o que foi fundamental para virar o andamento da guerra a favor de Assad.

No plano interno
O chefe de estado russo mantém sua popularidade apoiado no trauma da crise após o fim da União Soviética e por manter a economia nos eixos desde sua primeira eleição, em 1999.

Putin conseguiu em março deste ano mais um mandato para ficar no poder até 2024. Favorito desde o início, seu principal opositor, Alexei Navalny, foi proibido de concorrer.

No plano interno, Putin é acusado de estimular a homofobia. Em um esforço do governo para promover valores tradicionais russos contra o liberalismo ocidental foi aprovada uma lei, em 2013, que veta a "propaganda gay", que é considerada discriminatória.

A vigilância e as restrições na Internet também geram protestos no país. Desde de janeiro de 2017, as empresas on-line, russas e estrangeiras são obrigadas a armazenar dados de seus usuários na Rússia e a facilitar o acesso das autoridades quando solicitadas.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Globo


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