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Literatura & Saúde / Sandro Lins

Quem é Sandro Lins? É médico pediatra, perito em trânsito, membro da ACALA (Academia Arapiraquense de Letras e Artes), ex-secretário de Saúde de Craíbas e gosta de dar opinião sobre tudo.
16/11/2016 22:32:04
A escola é nossa! Vamos estudar.

 George Orwell
Se a liberdade significa alguma coisa, será, sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.

"Se a única coisa que de o homem terá certeza é a morte; a única certeza do brasileiro é o carnaval no próximo ano. " Graciliano Ramos já previa o imprevisível: o que será do Brasil? Ontem mesmo li num jornal da província: "hoje, 15 de novembro, se comemora os 127 anos do golpe que derrubou Dom Pedro II", Como dá para passar no ENEM desse jeito, se a história sempre está mudando? E se eu lhe disser que o primeiro deputado a defender o federalismo também foi um alagoano, Aureliano Tavares Bastos,  que dá nome à nossa assembléia legislativa:, e vaticinava: "Os eixos do mundo foram de ferro; são hoje de raios de luz. A terra era um campo de batalha; é hoje o congresso dos povos livres" E justamente por sermos livres que discordo das ocupações de prédios públicos pelos estudantes.


Quando o brasileiro decide ser burro, é capaz de proezas imbatíveis, ja dizia Tavares Bastos. Talvez por vivermos num país que não dá valor à administração, e todos os anos sobram vagas neste curso, é que se vai contra o óbvio. Aumentar a receita e diminuir a despesa, nesta frase encerra-se princípio mais básico da administração, sua missão maior, Então como ir contra um projeto de lei que limita o teto dos gastos públicos, mas mantém os limites constitucionais para a educação? Desde 1808, 142 empresas estatais foram criadas no Brasil, sendo 42 apenas nas administrações do PT. Geraldo Alckmin , governador de São Paulo, disse em seminário do Movimento Brasil Competitvo: “Não tem trem, não tem bala, mas a empresa estatal está firme e forte”, disse em relação à Empresa Brasileira do Trem de Alta Velocidade (Etav), que custa R$ 1,878 milhão por mês, só com o salário dos 167 funcionários. Nenhum governo, desde a constitução de 1988, gastou mais que o mínimo exigido por lei na educação. Só ano passado Dilma diminuiu dez bilhões de reais a despesa com educação, e só foi gasto 14% do orçamento com esta função; em 2016 será gasto 16% do orçamento, ano que vem 18% do orçamento do governo federal irá para o Ministério da Educação.

Já fui estudante, já tive um dia a idade desses meninos. Era estudante universitário quando recusei ser um cara-pintada em 92, porque percebi que não se queria mudar o Brasil, mas apenas se vingar de um presidente que "tomou o dinheiro da poupança dos nosso pais". E eu, que tive seis meses de greve da UFAL no governo Sarney, e nenhuma no governo Collor, vi o Brasil sepultar de vez o projeto das escolas de tempo integral, os CAIC, que o presidente alagoano copiou do Brizola. Aqui em Arapiraca finalmente, depois de vinte anos, um CAIC se transformou na Escola em Tempo Integral Pontes de Miranda. Como posso defender as ocupações das escolas, se o que os estudantes querem é a volta do governo do PT? Vingança contra um presidente que entrou pelo erro dos outros, e faz o país temer o presente por suas medidas duras, mas que podem trazer um futuro de prosperidade.


“Se a igualdade entre os homens- que busco e desejo- for o desrespeito ao ser humano, fugirei dela.” dizia Graciliano Ramos, talvez o político mais honesto de nossa história, célebre pelos seus relatórios quando foi prefeito. No mesmo mês em que a presidente Dilma aumentou mais 40 vagas para o curso de medicina da UFAL aqui em Arapiraca, criou 200 vagas para o CESMAC e 50 vagas para a UNIT, faculdades particulares, que cobram perto de cinco mil reais por nês para os estudantes, e não possuem hospital universitário. Quando eu passei no vestibular da UFAL em 1989 eram 80 vagas. Meu sobrinho Francisco Neto se formou semana passada na mesma UFAL e no mesmo curso, só teve direito a 40 vagas, metade foram tiradas para as cotas. Será que o objetivo deste governo dito socialista era dar chance ao pobre de ser médico ou investir num grande e lucrativo negócio? Como defender um governo que aumentou 4000 vagas na UFAL com a interiorização, mas deixou só a KROTON (dono da Anhanguera e Unopar ) ter 1300000 alunos ( 325 vezes mais que os 4000 da UFAL ), a maioria financiado com recursos públicos, e poucos privilegiados puderem ter acesso à universidade pública e gratuita? A única obra do governo Dilma em Arapiraca é o prédio do IFAL, no alicerde desde 2008!


Com todo respeito aos nossos estudantes visionários, mas carentes de mais informação, ir na onda, como peixe, é uma irresponsabilidade grande. Somos todos responsáveis pelo nosso país, neste momento de crise política, ética,e econômica. Nisso concordo também com mestre Graça: "“É fácil se livrar das responsabilidades. Difícil é escapar das consequências por ter se livrado delas.”

 

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Sandro Lins