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Literatura & Saúde / Sandro Lins

Quem é Sandro Lins? É médico pediatra, perito em trânsito, membro da ACALA (Academia Arapiraquense de Letras e Artes), ex-secretário de Saúde de Craíbas e gosta de dar opinião sobre tudo.
07/08/2022 13:36:14
Por quê o filho do pobre não é atendido pelo pediatra no PSF

 O Conselho Nacional de Saúde, presidido pelo senhor FERNANDO ZASSO PIGATTO, que não tem formação na área de saúde,  na sua RECOMENDAÇÃO Nº 005, DE 25 DE MARÇO DE 2022 recomendou a suspensão do programa CUIDA MAIS BRASIL, do atual governo federal,que ia dar uma ajuda financeira aos municípios para que contratassem médicos pediatras e obstetras para atender no PSF.

O PSF- Programa Saúde da Família existe desde 1994 no Brasil. O atendimento pré-natal das mulheres pobres é feito pelas enfermeiras no PSF.As visitas domiciliares aos bebês com maior risco de mortalidade infantil não são feitas por um médico de crianças, o pediatra, que precisa ter três anos de formação adicional, em residência médica em um hospital credenciado pelo Ministério da Educação, para obter o título de pediatra. Existe em alguns municípios o NASF, que contempla algumas especialidades em saúde, mas as crianças continuam sendo atendidos pelo enfermeiro na equipe básica de saúde. Na prática, quando o filho do pobre adoece em nossa região a criança acaba sendo atendida no Hospital Regional ou nas UPAS, causando uma lotação desnecessária, porque na maioria das vezes o médico da equipe do PSF não tem formação para atender crianças, e a enfermeira não resolve o problema da criança doente.

O QUE DIZ A SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA
O PSF reforça a discriminação da classe social pobre do país. Esta constatação é inquestionável. A assistência à saúde de crianças e adolescentes pelo PSF não é assegurada pelo médico preparado para as exigências requeridas nesse mister. Ao contrário, vem se fazendo por meio de profissional não médico ou por médico sem formação pediátrica. A discriminação é evidente e inaceitável. De fato, os filhos de todos os gestores do sistema público de saúde – municipais, estaduais e federais -, incluindo-se o ministro da saúde e os coordenadores do PSF, são assistidos pelo pediatra, nunca pelo médico das equipes do PSF. Reconhecem que seus filhos têm direito à melhor assistência à saúde do seu tempo. O mesmo direito não reconhecem para os filhos das famílias pobres. Para eles reservam os serviços do chamado médico de família que, na maioria das vezes, é um recém-formado ou aposentado, ambos despreparados para prover a assistência pediátrica essencial a todos os níveis da atenção à saúde. França, Espanha e Inglaterra implantaram, muito antes do Brasil, o tipo de assistência médica proporcionado por profissional generalista. Já reviram o equívoco e introduziram o pediatra no atendimento a crianças e adolescentes como requisito de qualidade da atenção à saúde nessa faixa etária.

Saiba mais sobre o assunto:

 www.gp1.com.br/brasil/noticia/2020/5/26/presidente-do-conselho-nacional-de-saude-que-recomendou-suspensao-da-cloroquina-e-filiado-ao-pt-478643.html 

www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/razoes-para-inclusao-da-pediatria-no-programa-saude-da-familia-psf-carta-a-presidencia-da-republica-junho-de-2006/

 

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Sandro Lins
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