09/09/2019 07:50:20
Brasil
Mulher diz que PMs ameaçaram estuprá-la: 'Iam me matar'
Moradora de Praia Grande, no litoral paulista, diz que agressão a casal e a PM que chamou de 'macaco nojento' foi em legítima defesa. Uma denúncia será feita a corregedoria.
ReproduçãoMulher diz ter sido agredida por policiais militares após pedir ajuda, em Praia Grande, SP

 Uma moradora de Praia Grande, no litoral de São Paulo, alega ter sido brutalmente agredida e ameaçada de morte e abusos sexuais por pelo menos 12 policiais militares, após uma briga de trânsito, em uma avenida da cidade. Ela chegou a ser presa após agredir um casal e um militar e justifica o ato como legítima defesa.

A confusão aconteceu em um trecho da Avenida Roberto de Almeida Vinhas, na noite de sexta-feira (6). Relatos da Polícia Militar ao G1 deram conta de que a mulher chegou a xingar um militar de ‘macaco nojento’ e que ela foi reconhecida, já na Delegacia Sede da cidade, pelo casal agredido por ela.

A mulher, que conversou com o G1 e preferiu não se identificar, afirma que a confusão começou em um desentendimento de trânsito. O homem que a acusa de agressão é motorista de aplicativo e estava acompanhado de uma passageira. Ela seguia para a casa dos pais quando envolveu-se em uma colisão.

“O rapaz fechou meu carro e começou a me perseguir [após a batida]. Eu parei e ele me agrediu. A passageira chegou perto mas ele me segurava pelos braços. Então, o mordi, quando me soltei e acertei o rosto dela”, relatou. Emocionada e assustada, ela disse que agiu para se defender e, depois, fugiu.

Já dirigindo o veículo, acabou passando por uma guia e furando os dois pneus do lado esquerdo do veículo. “Estava em torno de 50 km/h na Via Expressa Sul. Tentei ligar para a polícia, mas ninguém me atendia”, contou. Uma equipe da PM que fazia patrulhamento fez sinal de parada para ela.

“Expliquei que estava com o pneu furado e pararia na borracharia. Um dos policiais começou a gritar. Desci na frente do comércio e questionei a maneira que ele agia. Foi quando começou a agressão”, relata. Ela confirma ter ofendido o policial no momento de nervosismo e, em seguida, foi jogada no chão e apanhou.

“Chegaram outras viaturas e cerca de 12 policiais passaram a me bater e me ofender. Me bateram muito”, contou. Um conhecido da família dela passou pelo local, fotografou a agressão e avisou os pais dela. Ainda assim, ela contou que foi colocada em uma viatura e andou por ruas da cidade, onde foi coagida.

“Me xingavam, falavam que iam me matar e estuprar. Só cheguei na delegacia pois meus pais estavam lá e exigiram minha presença”, disse. “Se não fossem eles, eu teria morrido e deixado um filho de seis anos”, desabafou. Ela foi mantida sob escolta no estacionamento do DP antes de entrar.

“O delegado não levou em conta meu relato e não me encaminhou para o atendimento médico, mesmo apresentando diversos hematomas”, disse. Ela acabou presa por uma noite na carceragem da unidade e liberada no dia seguinte após audiência de custódia.

Corregedoria

Segundo Carlos Wagner, advogado da vítima, será feita uma denúncia junto a corregedoria da Polícia Militar nesta semana. "Farei quando estiver com o laudo do IML em mãos, que para mim será liberado apenas na quarta-feira (11)", explica. Segundo ele, o documento do instituto que já foi liberado para a delegacia não atesta a embriaguez de sua cliente.

"Para o delegado abrir o inquérito é preciso que seja feito um relatório, que ainda não foi feito. Pegarei todas as cópias dos autos e relatórios. Também checarei se onde houve o espancamento alguma câmera de monitoramento gravou. Essas imagens serão requisitadas", explica ele, que fala em excesso por parte dos PMs.

"12 policiais batendo em uma mulher 1,55 metro, no máximo, não tem cabimento. É uma moça. Estarei acompanhando a investigação e com o resultado da corregedoria vou mover uma ação indenizatória contra os policiais e contra o Estado", finaliza.

Agora, a vítima espera uma punição para quem a agrediu. “Estou muito assustada e com medo dos policiais. Tenho medo até de sair na rua. É triste saber que as pessoas que deveriam nos defender agem desta forma. Estou bastante abalada”, finaliza.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a confusão foi registrada como embriaguez ao volante, lesão corporal, resistência, desacato, dano e injúria. O motorista de aplicativo foi à delegacia e informou que a mulher quase colidiu em seu carro e estava agressiva e agitado, além de lhe xingar e agredir, fazendo o mesmo com sua passageira. Ele decidiu representar criminalmente contra ela.

A pasta ainda reitera que, conforme o boletim de ocorrência, que policiais militares a pararam após verem seu carro em ziguezague pela via. Ela teria resistido a abordagem e agredido os policiais militares. A Polícia Militar não respondeu aos questionamentos do G1 até a publicação desta reportagem.

Fonte: G1

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