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27/09/2019 12:37
Entretenimento
Polêmico e direto, Datena dispara: "Se me derem um tiro hoje, morro rindo"
Pouco preocupado em agradar, Datena usa o humor na mesma medida em que abusa da polêmica
José Luiz Datena diz que não tem medo de ameaças / Foto: Divulgação

 Ameaças não intimidam o jornalista José Luiz Datena. É o que ele diz. "Estou muito mais próximo da linha de chegada do que da linha de partida. Se um cara me der um tiro hoje, eu morro rindo. Não tenho medo", garante, em entrevista exclusiva ao UOL.

Pouco preocupado em agradar, Datena usa o humor na mesma medida em que abusa da polêmica. E diz claramente que não gosta —nem nunca gostou— do jornalismo policial que o transformou em estrela da televisão. "Não gosto de programa de polícia. Eu odeio isso. Não gostava, nunca gostei e não gosto", diz ele, prestes a completar 50 anos de carreira.

Cogitado para disputar as próximas eleições municipais, depois de ter retirado sua candidatura ao Senado no último pleito nacional, o jornalista diz que ainda não definiu seu futuro, mas que pode, sim, sair em uma chapa. E garante: desta vez, vai até o fim. "Se eu lançar a candidatura, ou vice ou a prefeito, dessa vez, eu não volto atrás."

 

Datena falou ainda sobre o trabalho com esporte —"como locutor, eu era uma sonora bosta, mas como repórter eu era considerado bom"— e sobre a relação com a filha, a modelo Leticia Wiermann. "É difícil falar dela, porque se parece muito comigo em quase tudo, menos na beleza. Ela tem um gênio brabo para caramba. Eu acho a minha filha um barato de empoderamento da mulher."

Leia, abaixo, trechos da entrevista:

UOL - Você já falou diversas vezes que está cansado do tipo de jornalismo que faz, que é o jornalismo policial. E você já namorou o entretenimento. Qual é o seu futuro?
José Luiz Datena - Eu não sou o Nostradamus. Se eu pudesse prever, ou mudar o futuro, é claro que gostaria de fazer outra coisa. Mas não sou eu quem decide a minha vida. Eu tive até uma grande oportunidade de participar de alguns programas fora do eixo policial quando fazia reportagem. Éramos eu, o [Marcio] Canuto... A gente fazia o que os youtubers fazem hoje. Era igualzinho. Eram matérias de sacanagem, de brincadeira. Isso na época em que o Osmar Santos apresentava o Globo Esporte. Eu era tido como um cara meio genial, tanto que a Globo me trouxe de Ribeirão Preto para São Paulo.

 

E como você deixou o jornalismo esportivo?

Eu saí [da reportagem] para me tornar um péssimo locutor esportivo. Como locutor, eu era uma sonora bosta, mas como repórter eu era considerado bom. O meu lance era mesmo seguir na reportagem, tanto que eu estava subindo na TV Globo. Só que, de uma hora para a outra, o destino fez com que eu trabalhasse na TV Record. E o falecido [diretor] Eduardo Lafon (1946-2000) falou que eu teria que fazer programa de polícia. Eu disse: "Eu não vou fazer programa de polícia. Eu não gosto, eu odeio isso". Mas, como a opção era ser mandado embora, porque eles iam acabar com a equipe de esportes, topei. Para não ficar desempregado, se precisasse, eu pegava uma metralhadora, uma faca e ia para o pau.

Você comandou o 'Agora É com Datena', na Band, um programa dominical que acabou não tendo seguimento. Ao fim dele, você disse que "alguns babacas da Band não queriam o programa". Quem são esses babacas?

Se eu desse nomes seria ruim, mas quem foi [babaca] já saiu de lá. O cara não gostava de mim. A vida inteira não gostou. Para você ter ideia, no passado, quando eu era narrador da equipe do Luciano do Valle, ele quis me demitir perto do Natal. O Luciano me ligou e perguntou se dava para eu fazer reportagem em vez de narração, pois aí poderia me segurar lá. Eu disse: "Cara, eu limpo até o chão da Band. Eu não tenho dinheiro para comprar um peru no Natal". Depois, quando esse tipo de pessoa assumiu um cargo de direção, veio para mim dizendo que faziam intriga entre a gente. Eu disse: "Intriga é o cacete. Você me ferrou a vida inteira! Não vou ser seu amigo agora, 20 anos depois". E aí eu me ferrei, porque ele ajudou a tirar o programa do ar. Não é mole fazer um programa de domingo, a competição é muito forte. E a gente não tinha grana para a produção. Teve artista que pagou para cantar, que foi ao programa porque gostava de mim.

Você quase foi recontratado pela Globo, no comecinho dos anos 2000. O que aconteceu que você não foi para lá?

 

Eu tinha acabado de sair do Cidade Alerta, e a gente dava 22, 23 pontos. Eu só perdia para o Chaves cinco minutos, depois descia o cacete em todo o mundo e chegava a bater a Globo. Não todo dia, mas chegava a bater. O André Dias, que era diretor da Globo e tinha contratado Ana Maria Braga, Serginho Groisman e Luciano Huck, me ligou dizendo que queria me contratar. Falei: "Você está de sacanagem! A Globo quer me contratar? Eu só meto o pau na Globo!". E desliguei o telefone. Duas vezes. Mas peguei o contato dele e retornei. Era ele mesmo, um cara genial. Conversamos e acertamos contrato. Havia uma multa de R$ 1 milhão que eu não iria pagar nem a Globo. O André disse que isso seria resolvido com a negociação de uns artistas com a Record, já que a emissora estava iniciando um projeto de novelas. Eu ia fazer o Linha Direta no lugar do Marcelo Rezende, que tinha acabado de sair, e também iria fazer reportagens para o Globo Repórter, que era o que eu mais gostava.

O que deu errado?

Cheguei na Record e recebi o recado de que o bispo Gonçalves, que é bravo para cacete, queria falar comigo. Assim que entrei na sala, ele perguntou: "Você assinou contrato com o nosso maior inimigo?". Eu disse que jamais faria uma coisa dessas. Era moleque. Enquanto ele falava, eu pensava: "Vou ter que rasgar esse contrato, senão esse bispo vai me matar". De repente, ele me mostrou o contrato assinado, que o cara da Globo tinha deixado lá para me ferrar. Aí eu disse: "Vocês estão acostumados a lidar com a fraqueza humana. Essa daí foi uma fraqueza minha terrível". Depois, ainda bem, a Globo e a Record rasgaram o contrato. Eu não tive que pagar multa para a Globo, que foi legal comigo, e uma semana depois o bispo dobrou o meu salário.

No ano passado, você se lançou candidato ao Senado, mas retirou a candidatura pouco tempo depois. Você vem candidato a algum cargo nas próximas eleições?

Não sei se vou ter saco para ser candidato, mas ainda eu não deixei totalmente a perspectiva de lado. Tem gente que diz que sou oportunista, que quero aparecer. Cara, aparecer mais do que apareço? Três horas e meia por dia [na TV]? Eu quero desaparecer, não aparecer. Se me encherem muito o saco, é capaz de eu ser candidato. Agora, se eu lançar a candidatura, ou a vice ou a prefeito, desta vez eu não volto atrás.

Você já recebeu muitas ameaças à sua integridade física. Como está sua vida hoje? Toma algum cuidado especial?

Eu já fui ameaçado para caramba. Não ligo mais para isso. Estou muito mais próximo da linha de chegada do que da linha de partida. Se um cara me der um tiro hoje, eu morro rindo. Se eu morrer mesmo, não to nem aí. Não tenho medo disso, não. Mas tomo algumas precauções, sim. Não minhas, mas a Bandeirantes toma algumas. Só não posso falar quais são, senão é entregar o ouro, literalmente, para o bandido.

Existe uma lenda nos bastidores de que haveria algum problema entre você e o Luiz Bacci. Isso é verdade?

Não. Eu até gosto do Bacci. Outro dia, eu o vi em uma cerimônia em que fomos receber medalhas e até o cumprimentei. Não houve nenhum problema. É que ele fazia um programa antes do meu e usava as matérias que eu iria usar. Havia um certo conflito, mas terminou numa boa. Eu gosto muito dele.

Sua filha, a modelo Leticia Wiermann, é uma gata. Você tem ciúme dela?
Não, não tenho. É difícil falar da Leticia, porque ela se parece muito comigo em quase tudo, menos na beleza. Nisso, eu levei azar. Ela tem um gênio brabo para caramba. Toma as decisões dela, e eu não me intrometo. Às vezes, descubro essas decisões na sua coluna ou por meio de outros colunistas no UOL. Eu acho a minha filha um barato de empoderamento da mulher. Apoio toda decisão que ela toma, mesmo algumas com as quais eu não concordo.

 

Que balanço você faz da sua vida, destes quase 50 anos de carreira?

Às vezes, eu fico pensando que poderia ter sido mais fácil. Mas, se tivesse sido, talvez eu não tivesse virado uma espécie de personagem —que na realidade eu não sou. Infelizmente, tudo o que os caras veem na televisão é o que eu sou de verdade. Uma vez, um cara me disse: "Não é mole trabalhar com você, Datena". Aí eu respondi: "Parceiro, realmente não é. Mas você tem uma vantagem sobre mim. Daqui a 10 minutos, você vai embora para a sua casa. Eu vou ter que ir embora para a minha comigo mesmo. E não é mole conviver comigo.

Fonte: UOL

 

Qual era a sua aposta para o programa?

Eu sempre disse para a Band: "Deixa duas horas de jornalismo e uma hora de entretenimento, em vez de seis horas de programa". Eu acreditava que entrar com notícia [seria o melhor]. Dava uma cagada no país, eu dava em primeira mão. No dia da greve dos caminhoneiros, nós demos 12 pontos de pico, com oito pontos de média em um domingo. Isso a Band não dava há 300 anos. Se a emissora mantivesse aquele horário ali, eu acho que teria dado certo. A gente teria uma média de quatro pontos, o que está bom para caramba. Não ia dar mais do que isso, mas ia ser uma média legal.

 

 


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