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18/09/2019 12:17
Saúde
Samu atende 40% dos casos de tentativas e suicídios em Alagoas
Dos 279 casos registrados em Alagoas pelo Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde (MS), 113 foram atendidos pelo Samu
/ Foto: Assessoria
Assessoria

 Isso é frescura! Deve ter sido por besteira! Falta de Deus! Está fazendo drama! Quer chamar atenção! São essas as principais expressões que são ditas, ou pensadas, por algumas pessoas quando recebem a notícia de que alguém tentou ou conseguiu tirar a própria vida. Esses casos de tentativas e de suicídios têm aumentado nos serviços de emergência de Alagoas e, de janeiro a agosto de deste ano, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já foi acionado para 40,5% das ocorrências desta natureza.

Isso significa que, dos 279 casos registrados em Alagoas pelo Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde (MS), 113 foram atendidos pelo Samu. Assistência que ocorreu seja notificando o óbito nos casos em que as vítimas conseguiram tirar a própria vida ou prestando os primeiros socorros no local da ocorrência e encaminhando-as para receberem assistência hospitalar.

Segundo Luiz Antônio Mansur, médico do Samu Alagoas, nos casos em que os socorristas chegam ao local e encontram o paciente desacordado, são feitos os primeiros socorros e a vítima é encaminhada para a unidade hospitalar mais próxima. “Temos recebido muitos chamados para tentativas de suicídio por intoxicação. Nesses casos, buscamos identificar a substância ingerida e aplicamos o antídoto correto. Em seguida, levamos o paciente para o hospital, onde é feita uma lavagem estomacal. Nas outras situações em que a vítima possua algum tipo de lesão, também fazemos os primeiros socorros e encaminhamos até o hospital”, explica.

Ainda de acordo com o médico Luiz Antônio Mansur, para este tipo de ocorrência, a presença dos profissionais do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CBMAL) e da Polícia Militar do Estado de Alagoas (PM/AL) é imprescindível. “Para as situações que envolvem as tentativas de suicídio, onde a pessoa ameaça se jogar de um local alto ou está portando arma branca e de fogo, sempre solicitamos o apoio dos militares. Assim que chegamos ao local, avaliamos a segurança e tentamos iniciar uma conversa com o paciente para acalmá-lo e revertermos a situação”, salienta.

Família no combate a depressão – Uma instituição que vem ajudando pessoas que possuem algum tipo de transtorno mental é o Centro de Promoção de Saúde, Educação e Amor à Vida (Cavida). Foi nessa Organização Não Governamental (ONG) que o professor de Muay thai, Rafael Domingos, 29 anos, encontrou, há três anos, a ajuda que precisava para lutar contra a depressão.

Ele enfrenta o problema desde os 11 anos, com vários episódios de crises, que o fizeram abandonar as artes marciais, o seminário e, posteriormente, o curso de Educação Física. “Sempre que as crises vinham eram muito pesadas, não tinha vontade para fazer nada, já tive momentos de passar quase seis meses em cima de uma cama sem ter ânimo para levantar. Foi dessa vez que meus cabelos e barba caíram e perdi muito peso”, lembra.

Foi após um desses momentos difíceis, que Rafael voltou a praticar o Muay thai e procurou ajuda no Cavida. “Quando comecei a frequentar o Cavida, eu fazia muito o uso de ansiolíticos e, com o início do tratamento psicológico, junto com o esporte, consegui reduzir essa quantidade. Mas, foi logo quando estava começando o tratamento, que tive a minha pior batalha comigo mesmo”, recorda.

Nessa época, a academia que Rafael era dono enfrentava problemas, com poucos alunos e contas para pagar. “Foi nesse momento que tive vontade de tirar a minha vida, para diminuir aquela angústia, aquele sofrimento, por causa do momento muito difícil que eu estava passando”, salienta.

“Então fui até o banheiro e pensei em cortar o meu pescoço com uma navalha, travei uma luta por mais ou menos uma hora comigo mesmo. E depois dessa batalha, optei pela vida. Essa foi mais uma das minhas vitórias contra a doença”, exalta o professor, ao sentenciar: “Nos meus momentos mais complicados olhava para o sol e não o via brilhar. Foi no Muay thai que me reencontrei; é esse esporte que me faz sair de casa todos os dias para poder ajudar outras pessoas que têm algum problema”, enfatiza.

Doença – O transtorno mental pela qual a família de Rafael passa tem sido um dos principais motivos que tem levado as pessoas a terem ideações suicidas. De acordo com Laeuza Farias, psicóloga e assessora técnica da Supervisão de Atenção Psicossocial da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), a depressão é a doença mais presente entre as pessoas que praticam a tentativa ou se suicidam.

“Vale ressaltar que nem todas que se suicidam têm algum tipo de transtorno mental diagnosticado. A depressão é a mais comum, mas não é algo determinante para a prática do ato”, explica a psicóloga da Supervisão de Atenção Psicossocial da Sesau.

Laeuza Farias diz que a sociedade está mudando o comportamento em relação à temática do suicídio e o assunto está sendo mais discutido entre as pessoas. “Hoje a população está mais aberta para enxergar e conservar sobre essa situação. As pessoas estão com menos pudor em falar sobre suicídio. Antes era um tema colocado para debaixo dos panos, mas está vindo à tona com toda a força para mudar esse panorama atual”, argumenta.

Plano Estadual de Prevenção ao Suicídio – Para fortalecer as ações de prevenção ao suicídio, a Sesau e as Secretarias Municipais de Saúde estão elaborando o Plano Estadual de Prevenção ao Suicídio. Segundo Laeuza Farias, o Plano está sendo organizado pelo Comitê Estadual de Prevenção ao Suicídio, que foi efetivado em janeiro deste ano.

“Técnicos da Sesau têm percorrido as 10 Regiões de Saúde do Estado, realizando oficinas para capacitar mais profissionais, na busca da prevenção ao suicídio. O objetivo da ação também é melhorar o acolhimento das pessoas que possuem algum tipo de transtorno mental, para assim tentar reverter esses índices”, informa.

Uma luz no fim do túnel – “Quem quer ficar triste a vida toda? Ver a vida passar e verificar que as pessoas levam a vida normalmente. Foi para acabar com essa tristeza que tentei o suicídio”. Essas são palavras de Magda ao relatar sobre o por que de tentar tirar a própria vida algumas vezes.

“As tentativas aconteceram em momentos de tristeza profunda em que eu não conseguia sair dessa situação e a única forma de me livrar dela era tirando a própria vida. Mas, felizmente, o ato não foi consumado e fui socorrida por amigas”, relata, preferindo preservar a própria imagem.

A jovem ainda disse que o apoio da família e dos amigos mais próximos foi fundamental para conseguir melhorar. “O apoio que recebi das pessoas que convivem comigo foi fundamental nessa situação. É muito importante para mim saber que temos alguém nos apoiando, querendo nosso bem e nos aconselhando”, salienta.

Ela aproveita para fazer um alerta aos profissionais da área da saúde. “Já presenciei várias vezes trabalhadores da área da saúde fazendo chacota e piadinhas sobre esse tema, dizendo frases como: ‘Vou ensinar essa pessoa como se matar’; ‘Quer se matar, pula da ponte’. Isso é um assunto muito sério e quem sofre com qualquer tipo de transtorno mental precisa de ajuda e não ser motivo de piada”, alerta.

Busque ajuda – Os alagoanos que têm algum transtorno mental podem conseguir atendimento especializado e a ajuda que precisam em qualquer um dos 62 Centros de Assistência Psicossocial (Caps) espalhados pelo Estado. Esse acolhimento também pode ser feito em postos de saúde e por equipes de saúde da família, que possuam profissionais especializados em saúde mental.

Além dos serviços da saúde pública, existe o Cavida, que a população pode acionar pelo número (82) 98879-2710. Também é possível buscar ajuda no Centro de Valorização da Vida (CVV), que pode ser acionado, nacionalmente, pelo telefone 188.


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