16/04/2018 07:58:25
Mundo
Ex-diretor do FBI diz que Trump é 'moralmente incapaz de ser presidente'
Na primeira entrevista após ser demitido, James Comey disse ter evidências de que o presidente dos EUA cometeu obstrução de Justiça. Em livro, ele detalha conversas com o presidente e o compara a um chefe de máfia.
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 O ex-diretor da polícia federal americana (FBI) James Comey afirmou neste domingo (15) que o presidente norte-americano, Donald Trump, é “moralmente incapaz” de ocupar o cargo e que trata mulheres como “pedaços de carne”.

Comey, que também lança o livro "A Higher Loyalty", com acusações contra Trump, declarou ainda que o presidente mente constantemente e que praticou obstrução de Justiça na investigação sobre a interferência da Rússia na eleição de 2016.

As declarações foram dadas ao programa 20/20, da rede americana ABC, em sua primeira entrevista à TV desde que foi demitido por Trump, no ano passado.

"Eu não compro a ideia sobre ele ser mentalmente incompetente ou ter estágios iniciais de demência. Ele me parece uma pessoa de inteligência acima da média que acompanha as conversas e sabe o que está acontecendo. Eu não acho que ele seja clinicamente incapaz de ser presidente. Eu acho que ele é moralmente incapaz de ser presidente."

"Uma pessoa que trata as mulheres como se fossem pedaços de carne, que mente constantemente sobre assuntos grandes e pequenos e insiste que o povo americano acredita nisso. Essa pessoa não está apta para ser presidente dos Estados Unidos, por motivos morais."

Obstrução de Justiça

Ainda na entrevista à ABC, gravada durante 5 horas, Comey comentou o episódio que envolve a demissão do ex-assessor de Segurança Nacional Michael Flynn, que mentiu ao FBI sobre as conversas que manteve com o então embaixador da Rússia nos EUA, Sergey Kislyak.

Flynn deixou o governo em fevereiro de 2017 e indicou que Trump sabia da mentira quando pediu para que Comey suspendesse a investigação sobre a influência russa nas eleições presidenciais. Para o ex-diretor do FBI, o episódio é uma evidência que o presidente cometeu obstrução de Justiça.

"Certamente é alguma evidência de obstrução da Justiça. Dependeria e -- e eu sou apenas uma testemunha neste caso, não o investigador ou o promotor --, isso dependeria de outras coisas que refletissem sobre sua intenção."

Logo depois que a entrevista foi ao ar o partido Republicano, de Donald Trump, divulgou um comunicado dizendo que a entrevista de Comey foi um evento publicitário para promover seu livro e que o ex-diretor do FBI mostrou que "sua verdadeira lealdade é para si mesmo", fazendo referêncai ao título do livro.

"A única coisa pior do que a história de má conduta de Comey é sua disposição em dizer qualquer coisa para vender livros", diz a nota do partido.

Trump ainda não se pronunciou sobre a entrevista, mas atacou duramente Comey na semana passada, quando os primeiros trechos do livro foram divulgados pela imprensa.

Acusa Trump também de ser antiético e "desvinculado da verdade". O livro conta que o mandatário andou obcecado nos primeiros dias de sua administração em fazer o FBI desmentir rumores obscenos sua mulher Melania que ele afirmava serem falsos.

"James Comey é um vazador e mentiroso comprovado. Praticamente todos em Washington achavam que ele deveria ser demitido pelo terrível trabalho que fez - até que foi de fato demitido. Ele vazou informações confidenciais, pelo que deveria ser processado. Ele mentiu para Congresso sob juramento", tuitou Trump.

Ele é um asqueroso fraco e mentiroso que foi, como o tempo tem provado, um diretor do FBI terível. Seu tratamento do caso da desonesta Hillary Clinton, e os eventos que o cercam, vão sucumbir como um dos piores trabalhos da história. Foi uma grande honra demitir James Comey!"

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, fez coro com Trump ao atacar o livro: "Uma das poucas áreas de verdadeiro consenso bipartidário em Washington é que Comey não tem credibilidade".

A conselheira da Casa Branca, Kellyanne Conway, por sua vez, disse que Comey "tem uma visão revisionista da história e parece um ex-empregado descontente".

Comey foi demitido em maio por Trump sob a alegação de que não teria tradado da forma devida a investigação sobre o uso de e-mail pessoal por Hillary Clinton para assuntos de governo quando esta era secretária de Estado na administração Obama.

Comey admitiu durante um audiência no Senado após ser demitido que vazou o conteúdo de algumas de suas conversas com Trump para um amigo, de modo que ele pudesse enviá-las para a imprensa e aumentar dessa forma a pressão sobre a Casa Branca para nomear um procurador independente para investigar a suposta interferência russa nas eleições de 2016, o que de fato ocorreu poucos dias depois.

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