14/11/2017 11:45:01
Brasil
Paciente morre após ser liberado 11 vezes de hospital
Mãe relata negligência de equipe médica da Santa Casa de Guará além de transporte precário de ambulância. Vítima de 34 anos morreu com broncopneumonia.
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G1

 A família de um paciente de 34 anos que morreu no início de novembro por broncopneumonia e edema agudo pulmonar acusa a Santa Casa de Guará (SP) de negligência médica.

Segundo a denúncia, Junio César Pinheiro Carrion somente foi diagnosticado com a doença na última das 11 consultas feitas com cinco médicos diferentes na cidade, além de ter sido levado em condições precárias, sem aviso prévio e sem médico, para a Santa Casa de São Joaquim da Barra (SP), onde morreu.

"Quando achei que o meu filho estava internado, nós entramos pela porta da frente e saímos jogados, enxotados pela porta do fundo da Santa Casa. Não sei como isso pode acontecer", afirma a mãe do paciente, Dalva Pinheiro Carrion.

A Santa Casa de Joaquim da Barra confirmou que o paciente foi encaminhado em condições impróprias e que o paciente morreu, apesar dos procedimentos de emergência tomados pela equipe. A equipe registrou um boletim de ocorrência por morte natural na Polícia Civil.

O corpo, segundo o hospital, foi encaminhado para o serviço de verificação de óbito (SVO), em Ribeirão Preto (SP), para a confirmação das causas da morte.

Advogado da Santa Casa de Guará, Luciano Gimenez informou que o hospital registrou um boletim de ocorrência em que um médico da unidade alega não ter autorizado a remoção do paciente para São Joaquim da Barra. Além disso, confirma que foi aberta uma sindicância interna sobre o atendimento dado ao paciente.

Negligência médica

De acordo com a família, Junio Carrion procurou a Santa Casa de Guará por 11 vezes e passou por cinco médicos diferentes desde que começou a passar mal em 20 de setembro até 3 de novembro, quando teve uma parada cardiorrespiratória e morreu em função de uma pneumonia nos dois dois pulmões, segundo o atestado de óbito.

Na maioria das vezes, segundo a empregada doméstica Dalva Carrion, o filho tomava um soro e era liberado. Ela conta que a situação se repetiu até as penúltimas consultas, entre 30 de outubro e 2 de novembro.

"Na segunda-feira [30] eu levei ele novamente para tomar soro, porque ele estava muito fraco, vomitando. Na terça-feira [31] ele passou mais ou menos bem. Na quarta-feira [1], eu levei novamente pra tomar soro. Na quinta-feira [2] eu levei novamente e pedi para o doutor Dante para ele dar um encaminhamento, para levar a outro lugar. Ele disse que a Santa Casa de Guará estava aberta apenas para urgência e emergência e não para encaminhamento. Terminou o soro e nos mandaram embora", relata.

Em 3 de novembro, ela conta que novamente levou o filho ao hospital, mas dessa vez o rapaz teve que ser internado.

Dalva afirma que deixou temporariamente a unidade para buscar alimentos para o filho e, ao voltar, soube de última hora que o paciente seria transferido às pressas. Na correria, ela conta que funcionários da equipe médica chegaram a informar que o caso do paciente era neurológico e que o atendimento gratuito era indisponível na cidade.

"Falaram para eu vir em casa buscar alguns alimentos e quando eu voltei eu até assustei, porque até a maca da ambulância estava lá. Falaram pra mim que eu tinha que levar ele urgente para Ituverava ou São Joaquim, porque o caso dele era neurológico, que eu tinha que pagar uma consulta com um neurologista."

Ela conta que, depois de sugerir que o filho fosse levado para São Joaquim da Barra, o paciente foi colocado em uma ambulância precária, sem acompanhamento médico.

"A ambulância não tinha nem ventilador, era muito velha, não tinha UTI, nenhum médico nos acompanhou", diz.

A empregada doméstica relata que as condições do filho pioraram durante a viagem e que, na chegada ao hospital, teve que pedir socorro por conta própria à Santa Casa, por falta de suporte da equipe de Guará.

"No meio do caminho, ele teve uma parada respiratória, mas voltou. Quando entramos no hospital, ele teve novamente uma parada. Quando chegamos em São Joaquim ele estava quase sem vida, eu que desci da ambulância e pedi socorro. Tiraram ele da ambulância e colocaram na sala de urgência. A ambulância foi embora, quase que fugida, não prestou nenhum socorro."

Santa Casa de São Joaquim da Barra

Em nota, a Santa Casa de Joaquim da Barra informou que atendeu Junio Carrion em 3 de novembro às 13h30, depois que o paciente chegou ao hospital de maneira inadequada.

"O paciente deu entrada nessa unidade através de procedimento em desacordo aos protocolos médicos e de transporte/encaminhamento preconizados pelos órgãos competentes", alegou.

Segundo a unidade, o paciente não tinha encaminhamento formal, aviso prévio nem acompanhamento médico.
Instável e com problemas de respiração, Carrion foi atendimento em caráter de emergência, mas não resistiu e morreu às 14h, informou o hospital.

"O corpo foi encaminhado para o serviço de verificação de óbito em Ribeirão Preto (SVO) para esclarecimento da causa da morte."
Santa Casa de Guará

Procurada pela EPTV, afiliada da Rede Globo, a provedora da Santa Casa de Guará chegou a marcar uma entrevista com a reportagem nesta segunda-feira (13) no município, mas não compareceu.

A reportagem foi recebida pelo advogado do hospital, Luciano Gimenez, que entregou uma cópia de um boletim de ocorrência em que um médico alega que o paciente deixou o hospital sem autorização.

No documento também consta que Carrion foi removido a pedido da família. Gimenez também confirmou que uma sindicância foi aberta e que, até o término do processo, a provedora não vai falar sobre o assunto.

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