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Literatura & Saúde / Sandro Lins

Quem é Sandro Lins? É médico pediatra, perito em trânsito, membro da ACALA (Academia Arapiraquense de Letras e Artes), ex-secretário de Saúde de Craíbas e gosta de dar opinião sobre tudo.
09/03/2018 10:32:06
Já que não as compreendemos, vamos amar as mulheres
Luciana Rodrigues Silva presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria / Foto: internet

 

 "Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. (Efésios 5, 28)"

 

Texto da Dra Luciana Rodrigues Silva

Presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria

 

A mulher tem percorrido um longo caminho para ocupar seu merecido espaço na sociedade. É um marco nessa trajetória a criação do Dia Internacional da Mulher, em 1911, dedicando-se o Dia 8 de Março à reflexão sobre os avanços na defesa dos seus direitos e os obstáculos que devem ser superados para que eles sejam exercidos totalmente.

Em pleno século 21, infelizmente, ainda há muito a ser feito. Ao contrário do que tanto se sonhava, em décadas passadas, a relação entre homens e mulheres ainda é marcada pela desigualdade de oportunidades, a discriminação de gênero, a violência gratuita – que não raras vezes resulta em crimes brutais – e o silêncio ensurdecedor com respeito desses abusos.

Por isso, hoje queremos falar de empoderamento, numa campanha promovida pela SBP como homenagem a Milena Gottardi, pediatra e mãe capixaba, brutalmente assassinada em 2017.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) quer lembrar às mulheres e aos homens, inclusive aos pediatras de ambos os sexos, que os tempos mudaram e, por isso, é impossível conviver numa realidade onde os iguais são tratados como desiguais.

Alguns números dão a dimensão desse problema. No mundo, um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que dos 774 milhões de adultos analfabetos no mundo, 64% são mulheres. No Brasil, os salários pagos às mulheres são, em média, 25% menores do que os dos homens, conforme mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2014, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Assim, com menos educação e renda, a população feminina tem sido relegada a segundo plano, na contramão de evidências de Países que demonstram que a promoção dos direitos das mulheres acumula enormes benefícios. Além de reduzirem suas taxas de pobreza, essas nações apresentam crescimento econômico vigoroso e menos corrupção.

Esses resultados, que se contrapõem às estatísticas negativas, sinalizam a importância do empoderamento da mulher. Para tanto, é preciso que os homens apoiem essa iniciativa, entendendo que ela não é uma ameaça, mas, sim, uma quebra de amarras históricas que têm impedido o desenvolvimento dos povos, de modo justo e solidário.

Portanto, ciente da necessidade de fazer avançar essa grande meta, a SBP defende que todos procurem observar na sua rotina o cumprimento de Princípios de Empoderamento das Mulheres, propostos pela ONU, em todos os ambientes. Deste modo, queremos que os brasileiros busquem:

1. Estabelecer liderança corporativa de alto nível para a igualdade de gênero.

2.Tratar todos os homens e mulheres de forma justa no trabalho.

3. Respeitar e apoiar os direitos humanos e a não discriminação.

4. Garantir a saúde, a segurança e o bem-estar de todas as trabalhadoras e todos os trabalhadores.

5.Promover a educação, a formação e o desenvolvimento profissional das mulheres.

6. Implementar o desenvolvimento empresarial e as práticas da cadeia de suprimentos e de marketing que empoderem as mulheres.

7. Promover a igualdade através de iniciativas e defesa comunitária.

8. Mediar e publicar os progressos para alcançar a igualdade de gênero.

Sabemos que as mudanças de comportamentos e de posturas históricas não são fáceis e exigem esforço coletivo para serem alcançadas. Mas o fundamental é ter o engajamento de todos e dar o primeiro passo: assumir a existência desse problema e agir, de modo organizado, para seu enfrentamento e prevenção. Assim, o passo mais importante para o empoderamento é a informação.

Aos poucos, os resultados virão. Com mulheres empoderadas, veremos surgir uma Nação mais forte, mais rica, mais ética, mais justa, mais igual. Em meio a esse cenário, nós, pediatras - homens e mulheres com função essencial no desenvolvimento saudável das futuras gerações - temos muito a contribuir.

Pela confiança e a proximidade com as famílias, os pediatras têm um papel fundamental: podem influenciar atitudes, esclarecer dúvidas, estimular gestos e alertar contra os abusos. No contato com os pacientes, podem ajudar na formação de uma nova consciência: livre de preconceitos e de visões deturpadas, estimulando que os jovens e adultos de amanhã se comportem da forma adequada, com relação às mulheres e ao convívio em sociedade. Enfim, podem ser exemplos para as meninas e as adolescentes.

Meu convite é simples e direto.

Mulheres empoderem-se: olhem para si, para seus anseios e suas possibilidades e lembrem-se de que são as responsáveis por suas escolhas.
Homens respeitem as mulheres como indivíduos plenos de direitos, livre para fazerem suas escolhas e se expressarem.
Esse é o caminho para a construção de uma realidade diferente: sem violência, sem desigualdade, com diálogo, com solidariedade.

Como já disse, enquanto cidadãos e pediatras, podemos ajudar nessa caminhada, porque sabemos que juntos fazemos não apenas uma Pediatra melhor, mas, principalmente, um mundo melhor.


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Sandro Lins