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30/11/2019 07:25
Brasil
Três meses depois das primeiras manchas, origem do óleo ainda é desconhecida
Mais de 800 locais já foram atingidos pelas manchas de óleo no litoral nordestino
Óleo coletado em Belmonte (BA) na terça-feira (12) / Foto: Divulgação/Prefeitura de Belmonte

Três meses depois de as primeiras manchas de óleo surgirem no litoral da Paraíba, o número de locais afetados ainda aumenta: mais de 800 pontos já foram atingidos, segundo o Ibama. O governo federal criou um grupo de trabalho para coordenar a resposta ao desastre e investigar sua origem. Apesar disso, nenhum navio ou empresa foi indiciado.

Para o coordenador do Centro Nacional de Monitoramento e Informações Ambientais (Cenima), ligado ao Ibama, a chance de encontrar a origem do óleo é cada vez menor.

"Perdemos o 'timing'. Quanto mais passa o tempo, mais difícil encontrar a origem. Você perde as conexões, precisa mapear as correntes e, como espalhou demais, puxar o fio da meada é complicado" – Pedro Bignelli, coordenador-geral do Cenima.

A investigação conduzida pela Polícia Federal do Rio Grande do Norte em conjunto com a Marinha apontou o navio grego Bouboulina como o principal suspeito pela poluição. No entanto, além dele, a Marinha notificou outros 29 navios. Especialistas em análise de imagens por satélite questionam a validade do levantamento usado pela PF para chegar ao Bouboulina porque o óleo no mar pode não ser visível em imagens de satélite.

Qual a cronologia e a evolução da contaminação das praias?
Qual foi a resposta do governo?
Quais as possíveis origens do óleo?
O que diz a Polícia Federal?
O que diz o Ibama?
O que diz a Marinha?
O que se sabe sobre o óleo?

Veja as respostas às principais dúvidas:

Qual a cronologia e a evolução da contaminação?

As primeiras manchas de óleo foram registradas em 30 de agosto no litoral da Paraíba. Desde então o material se espalhou rapidamente pela costa e atingiu todos os estados do Nordeste, além do Espírito Santos e, mais recentemente, o Rio de Janeiro. Algumas localidades foram atingidas pelo óleo mais de três vezes diferentes, segundo levantamento feito pelo G1 no início de novembro.

Nas última semanas o volume de óleo encontrado nas praias diminuiu, segundo a Marinha. No entanto, ao longo dos últimos três meses, quase 5 mil toneladas foram recolhidas.

Segundo a chefe de emergências ambientais do Ibama, Fernanda Pirillo, três fatores fazem com que o desastre seja considerado "sem precedentes": a extensão da área afetada, a recorrência do óleo em áreas previamente limpas e o desconhecimento da origem do poluente.

"Esse evento é algo inédito no Brasil. Esses três fatores não são os únicos que o tornam complexo, mas são os que fazem com que ele seja realmente sem precedentes" - Fernanda Pirillo, coordenadora de emergências ambientais do Ibama.

De acordo com oceanógrafos, os danos do óleo no litoral do Nordeste vão durar décadas. Manguezais e recifes de corais, que são considerados ecossistemas frágeis, podem apresentar sequelas diversas nos próximos anos.

Qual foi a resposta do governo?

Ambientalistas criticaram a resposta governamental ao desastre do óleo nas praias. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, visitou em outubro estados atingidos pelas manchas, mas o presidente Jair Bolsonaro ainda não esteve no Nordeste desde o início da crise. As principais ações oficiais contra o avanço das manchas de óleo foram:

Ativação do Plano Nacional de Contingência

Criação do Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA)

Abertura de inquérito da Polícia Federal

Monitoramento do Ibama e da Marinha

A crítica mais comum entre os ativistas é de que o Planalto demorou a acionar o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo (PNC). O Ministério Público Federal (MPF) dos nove estados do Nordeste chegou a mover uma ação conjunta pedindo que a Justiça Federal obrigasse a União a acionar o plano em até 24 horas.

No final de outubro, quase dois meses depois do início das manchas, o governo federal decidiu reunir em Brasília os órgãos que estão combatendo as manchas de óleo e criou o Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), que inclui a Marinha, a Polícia Federal e o Ibama.

Além disso, foi aberto um inquérito pela Polícia Federal do Rio Grande do Norte para apurar possíveis responsáveis pelo vazamento de óleo no início de outubro.

O Ibama afirma que tem monitorado as praias atingidas e divulgado listas com o nome dos locais afetados periodicamente. A Marinha também criou um canal para responder às principais dúvidas e postar atualizações das ações desenvolvidas pelos militares.

Quais são as possíveis origens do óleo?

A linha de investigação mais ventilada é que um vazamento tenha ocorrido ou de um navio ou em uma transferência de carga entre dois navios na corrente Sul-Equatorial, a aproximadamente 600 a 700 km da costa brasileira.

A partir dessa hipótese, pesquisadores de universidades brasileiras, analistas estrangeiros e órgãos governamentais brasileiros chegaram a conclusões diferentes.

A Polícia Federal, em inquérito baseado em um relatório de uma empresa privada, disse que o principal suspeito é o navio grego Bouboulina. A conclusão é baseada em imagens de satélite que mostrariam que o navio passou no local onde haveria uma grande mancha de óleo no oceano.

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) localizou duas manchas que seriam de óleo: uma no Sul da Bahia e outra no Rio Grande do Norte. A partir disso, os pesquisadores chegaram a uma embarcação que percorre a rota Ásia-África-América com frequência e que transportava petróleo venezuelano.

Já o Ibama disse, por meio de notas técnicas, que não é possível visualizar a mancha por meio de imagens de satélite, já que ela não fica na superfície.

Para o analista Bjorn Bergman, da Skytruth, empresa que reúne, entre seus fundadores, organizações como Google e Oceana, a hipótese levantada pela Polícia Federal é pouco provável.

"O navio [Bouboulina] estava no lugar errado na hora errada. Isso não me parece o bastante", diz Bergman.

O representante da empresa especializada em análises do mar via satélite também não concorda com a análise da Ufal. Para ele, as manchas de óleo observadas pelas duas análises podem ser algas ou cardumes de peixes, por exemplo.

Fonte: G1


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